quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Quantos momentos gostosos você esta tatuando no seu filho?

Esse texto me tocou e me fez refletir!
Será que estou deixando momentos gostosos tatuados nos meus filhos? E você já parou pra pensar nisso?
Apreciem!
“Vinte anos atuando como psicóloga de crianças e de adolescentes. Quatro anos como mãe. Já vi e ouvi muitas coisas…
Mesmo assim, tenho ficado intrigada com um frequente comentário que muitas mães e pais de crianças pequenas têm feito atualmente.
“Meu filho precisa sentir desde cedo que a vida é difícil”.
De fato a vida é difícil. Para alguns mais… Para outros menos.
Todos nós, em algum momento da vida, seremos arremessados em um oceano de problemas e de situações sofridas.
E serão nestas situações que precisaremos acessar dentro de nós algo precioso e muito poderoso:experiências positivas vividas na infância.
Lembranças impossíveis de serem lembradas. Mas possíveis de serem sentidas.
Bebês e crianças precisam vivenciar com regularidade momentos gostosos. Momentos que nutrem a alma em níveis profundos.
E que ficarão registrados para sempre. Como tatuagens na alma.
Eles serão as chaves para acionar a garra de viver necessária para superar as dores da vida.
Você deve estar se perguntando: Mas, que tipo de momentos são estes?
São os momentos em que a criança é atendida adequadamente nas suas necessidades. Sem muitas faltas nem grandes excessos.
Ser aquecida no momento certo. Ser alimentada sempre que necessário. Ser confortada com a voz calma da pessoa que cuida. Sentir o toque gostoso de quem a ama. Ser compreendida. Ser protegida. Ser corrigida. Sentir os limites do que é certo e errado. Ser respeitada nas suas diferentes emoções. Poder se encantar.Brincar livremente. Se divertir. Aprender brincando. Ver seus pais se divertindo também. Sentir o tempo sem tanta pressa.
Muitos pais e mães podem pensar: “Mas essa vida é muito boa! Desse jeito meu filho não estará preparado para enfrentar as dificuldades da vida quando ele crescer!”
Calma.
Você já parou para pensar que mesmo vivenciando todos estes momentos gostosos, ainda assim o seu filho já passa por algumas dores profundas?
Quando ele ganha um irmãozinho e perde a atenção exclusiva por ser filho único, quando ele se dá conta de que os seus pais não estão disponíveis para ele o tempo todo, quando um amiguinho prefere brincar com outro amigo, quando morre o seu bichinho de estimação, quando ele muda de escola ou ainda quando a sua avó preferida se vai… E junto se vão as comidinhas deliciosas, o colo aconchegante e a sensação de que na casa da vovó tudo pode….
Em tempos de profundas transformações no mundo, nossas crianças não precisam de tantas aulas de inglês, de tantos esportes, de tantos deveres de casa, de tanto conteúdo escolar, de tantas manhãs de sono interrompidas por horários escolares prematuros, de alfabetização precoce e nem de tantas expectativas por parte de nós, adultos.
Nossas crianças precisam, mais do que nunca, de momentos gostosos que possam nutrir as suas almas.
Precisam rechear seus bancos de dados internos com muitas experiências positivas de vida.
São estas experiências que darão à criança a capacidade de acreditar.
Acreditar que a dor vai passar, que ela pode confiar nas pessoas, que pode receber ajuda, que o mundo pode ser melhor e que um pouco de magia ainda existe…
Aí sim, quando a vida desafiar o seu filho de verdade, ele terá de onde tirar forças para enfrentar, resistir e se reinventar.
Eu, aos 40 anos de idade, já tinha perdido o meu irmão ainda na minha adolescência, todos os meus avós por diferentes razões, meu pai por uma doença brutal, meu sogro por um infarto fatal e minha mãe pela deterioração causada pela doença de Parkinson.
Ao longo desta jornada inominável fui buscar nas minhas vivências e brincadeiras de criança a força necessária para cuidar do meu filho ainda bebê e para me recriar profissionalmente.
A dureza da vida pode sim nos fortalecer. Mas são os momentos gostosos armazenados nos nossos poros que nos permitem enxergar esperança na dor.
É disso que as nossas crianças precisam de verdade.”

A importância dos Avós na vida dos netos

A importância dos Avós na vida dos netos
Meus avós…Meus amores…Grande doce pedaço da minha infância e da minha vida! Como é bom termos o privilégio de conviver com nossos avós. Como essa convivência é importante para a vida dos nossos pequenos. Sei que infelizmente não são todos que tem esse privilégio pelo fato dos avós já terem partido dessa vida. Mas para as crianças que tem essa possibilidade penso que devemos incentivar essa convivência para que cresçam com esse amor tão delicioso na memória!
Escuto sempre minha mãe falar que é mil vezes mais gostoso ser avó do que ser mãe, e meu pai concorda! Minha sogra também já falou isso várias vezes. Por isso, parei para pensar nesse assunto outro dia. Acho realmente que faz todo o sentido vejam bem:
Avós não tem responsabilidade de educar, parte mais difícil de ser pai e mãe, fazendo com que a relação com os netos seja mais leve e prazerosa do que com os filhos, avós não tem o dever da rotina, que acaba nos estressando demais devido a correria do dia a dia com as crianças, avós aparecem quando tem vontade, fazendo com que o tempo com os netos seja só alegria e prazer, avós podem dar o doce ou o presente que quiser para eles pois avós não sentem a culpa que os pais sentem…entre tantas outras coisas.
Na verdade penso que como eles já passaram pela experiência de ser pais, tem mais leveza, mais tranquilidade e mais sabedoria na relação com os netos!
Dessa maneira se os seus filhos tem possibilidade de conviver com os avós faça essa convivência acontecer! Mesmo que você não tenha uma ótima relação com seus pais ou sogros, deixe seus filhos se relacionarem com eles pois é uma relação muito importante tanto para as crianças, quanto para os avós.
Segue meu depoimento sobre minha despedida dos meus avós, que me inspirou a escrever esse post! Espero que desperte em todos muito amor e vontade de fazer essa convivência acontecer!
Depoimento escrito em janeiro de 2014
“Estou passando por um importante aprendizado na minha vida! Sempre tive verdadeira paixão pelos meus avós! Tive os 4 até os meus 27 anos. No meu casamento os 4 estavam presentes e eu só pensava, que benção! Quando meu avô tão amado por parte de mãe, que sempre esteve extremamente presente na minha vida faleceu, eu comecei a vivenciar o início de um longo aprendizado.
Os três outros viram meus dois filhos nascerem, e tenho maravilhosas recordações de momentos que reuniram 4 gerações!
Há 1 ano e meio, meu avô por parte de Pai aos seus 96 anos, cheio de saúde e lucidez plena, partiu deixando um buraco enorme em uma família que ele comandava com muito amor!
A nossa maior preocupação na época, foi com a minha vó que viveu 63 anos ao seu lado!
Eu dizia para ela: – Vó ele está bem descansou! E ela falava para mim: – Minha filha 63 anos juntos você sabe o que é isso? E eu realmente olhava para minha pequena vida de 33 anos e pensava: Realmente não tenho idéia do que seja isso.
A melhor forma que encontrei para ajudá-la foi conversar com ela, deixar ela contar suas histórias e eu escutar feliz suas gargalhadas!
Bom, no fim de 2013 após uma deliciosa visita na casa da minha vó onde ela como sempre falou muito do meu vô e ficou feliz de me ver e ver meus filhos, ela resolveu partir durante a madrugada seguinte da noite da visita! Partiu tranquila como um passarinho!
Foi rápido demais, suas risadas do dia anterior ainda ecoavam dentro do meu coração!
E é esse momento que eu vivo agora ,de aprender a me despedir, me despedir da presença física de pessoas tão importantes na minha vida e que serviram de exemplo para a minha história!
Meus avós viviam na mesma casa praticamente desde que se casaram, ou seja, 63 anos. E parece que minha avó me repete o que falou sobre meu avô: – Foram 63 anos na mesma casa, você sabe o que é isso minha filha?
Hoje estive lá na casa dos meus avós até porque para me despedir deles tenho que me despedir daquele lugar!
A despedida é dolorosa porém necessária! Chorei muito ao sair pois assim que a porta bateu atrás de mim, percebi que um capítulo se encerrou na minha vida, meus avós por parte de pai partiram!
Entretanto depois comecei a pensar em tudo o que deixaram… Quantas recordações, quanto amor, quanta coisa aprendi com eles ali naquela casa!
Quanta simplicidade, quanta honestidade e com quanta força de vontade vi meus avós viverem a vida deles!
E esse, é o último ensinamento que eles estão me dando, que o amor e o valor de família é o que o ser humano deixa de mais precioso para os que ficam!
E é dessa maneira que eles se eternizam na minha vida e no meu coração!
Graças a Deus ainda tenho o privilégio de conviver minha vó por parte de mãe! Vou curtir sua presença cada minuto que estiver ao seu lado!”

Uma mãe em busca de um sonho

Uma mãe em busca de um sonho
A Juliana escreveu para a gente um depoimento lindo, que fala de coragem e busca pela felicidade! Ela é autora do livro “Quatro Estações”. Achei o depoimento dela inspirador. Às vezes acho que a gente até sabe o que nos fará felizes mas se acomoda e vive na mesmice. A Juliana saiu da zona de conforto em busca de um sonho! Inspire-se
Ju, Obrigada por dividir com a gente! Bjos Thaís
” Eu tiro o máximo de tudo o que me acontece e o mínimo de tudo que passou.”
Refletindo sobre essa frase de Sara Teasdale, eu concluo que vivemos várias fases e ciclos na vida e eu estou na fase de buscar o que me faz feliz e retribuir o que ganho ao universo. O que passou eu avalio e guardo as experiências para a minha vida, mas o meu foco, nesse momento, é estar mais conectada comigo mesma e com a minha família e tornar o meu tempo mais precioso e produtivo.
Percorrer o novo caminho requer força de vontade e envolve vencer os nossos medos. Quando vencemos esses medos, superamos uma grande barreira que obscurece os nossos sonhos.
Saí recentemente de um modelo de trabalho com remuneração fixa e todos os benefícios que uma empresa oferece para me dedicar a ser escritora. Às vezes também sinto um frio na barriga, uma insegurança que vem junto com qualquer mudança, mas temos que correr riscos nessa vida. Do contrário, que graça teria se seguíssemos a vida sem desafios? Um caminho extenso e linear sem propósitos.
A vontade de ser escritora e usar da minha criatividade com os livros sempre existiu, mas o medo da mudança me bloqueava. Hoje eu consigo avaliar que fui abençoada por essa escolha de ser escritora porque além de ter tempo efetivamente para escrever, eu tenho todo tempo para acompanhar o crescimento da minha filha de quatro anos, transmitir-lhe valores, dar mais atenção aos seus passos. Não tenho dúvida de que essa dedicação na educação dela perpetuará por toda uma vida.
Ser mãe para mim é encontrar o equilíbrio do que te faz feliz e transmitir essa energia de amor aos seus filhos, marido e a todos que nos cercam.

Pai é PAI e não ajudante da mãe

Adoro ler os textos do Içami Tiba. Ele é médico Psiquiatra, Psicoterapeuta e Psicodramatista e já atendeu milhares de adolescentes e suas famílias. Além disso, escreve livros e ministra palestras! Acredito demais em tudo o que ele escreveu nesse texto super atual e muito bom para refletirmos! Meninas peçam para os maridos lerem e vamos deixar eles serem pais e não nossos ajudantes!
Boa Leitura!

“Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar.
            A mãe costuma pedir ajuda ao pai: Ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe. Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos.
            Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça.
            Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe. Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos.
            Fica muito clara esta situação quando uma mãe reclama que ela é a “pãe” da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível.
            Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho. Reparei em um passageiro que, em pleno voo, trocava as fraldas de seu bebê, que deveria ter um ano de idade. A mãe não estava presente. Um bebê cuidado pela mãe e pelo pai cresce com menos preconceitos e com menos machismo. Aquela família parece estar desenvolvendo a Alta Performance.”

Proteção à voz dos professores pode virar lei

Lecionar para salas de aula que chegam a ter 50 alunos pode trazer problemas à voz dos educadores. Além de transmitir o conteúdo, a rotina de um professor inclui tentar falar mais alto que as conversas durante a aula e chamar a atenção dos dispersos. Para prevenir e tratar a voz dos profissionais de educação, foi aprovado na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados o projeto de lei (PL 2776/11) que cria a Política Nacional de Saúde Vocal.

O projeto tem como alvo os professores da educação básica ao ensino superior tanto da rede pública quanto da particular. Caso a lei seja aprovada, estes profissionais farão exames vocais e fonoaudiológicos e, caso apresentem problemas, terão acesso a programas de recuperação. No eixo da formação, o projeto também prevê que os cursos de licenciatura tenham disciplinas sobre saúde vocal, além de promover de oficinas sobre o tema.

Para ser aprovado pela Câmara, o texto ainda deve passar pelas comissões de Seguridade Social e Família, Constituição e Justiça e de Cidadania.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UM DIREITO, UMA OPORTUNIDADE


Assim que coloquei meu filho na escola, quando ele tinha um ano e sete meses, senti uma necessidade imensa de saber mais sobre o trabalho desempenhado pelas secretarias municipal e estadual de educação, relativamente aos alunos com deficiência. Na época, tive até a intenção de tentar trazer profissionais de outros estados para poder capacitar os professores da rede pública, mas não fui ouvida por quem realmente pudesse colocar em prática essa pretensão.
Conversando com um querido amigo do Tribunal de Contas, ele me orientou a procurar o Ministério Público Estadual, na pessoa da Promotora de Justiça Simone Disconsi de Sá, coordenadora do Centro de Apoio na área de Educação. Não pensei duas vezes, liguei no gabinete da doutora Simone e fui agendada para dias depois. Simpática e atenciosa, ela ouviu atentamente minhas dúvidas, pretensões e frustrações. Ali nasceu uma parceria.
Hoje, vejo na pessoa da doutora Simone uma defensora dos direitos dos alunos com deficiência e nutro admiração por seu trabalho junto à educação do Estado de Goiás. A seguir, colaciono as palavras desta atuante Promotora de Justiça acerca da educação inclusiva, indicando os pontos favoráveis e desfavoráveis:
“Às vésperas da entrada em vigor da Lei n.º13.146, de 06 de julho de 2015, chamada de “Estatuto da Pessoa com Deficiência”, o país tem avanços para comemorar. De 2003 a 2014, a inclusão de pessoas com deficiência na educação básica brasileira passou de 29% para 79%, o que significa crescimento de 381%. O número de estudantes com algum tipo de deficiência, matriculados na rede regular de ensino, que era de 145.141 no início da década, chega atualmente a 698.768. A política de inclusão do Brasil também atingiu a educação superior, que registrou aumento de 475% — de 5.078 para 29.221 alunos ingressos nos últimos 12 anos.
Os números expressivos demonstram, além do processo de inclusão propriamente dito, uma modificação de comportamento, especialmente na área educacional, das famílias e dos próprios profissionais que se dedicam ao ensino público e particular no Brasil. Nas palavras da diretora de políticas de educação especial do MEC, Martinha Dutra dos Santos, “antes, vivíamos um verdadeiro ‘apartheid’: pessoas com deficiência, em situação de vulnerabilidade, distantes da escolarização. Organizações não governamentais substituíam o Estado, que se desincumbia do seu dever”.
Os números da estrutura de atendimento aos alunos portadores de deficiência, fornecidos pelo Ministério da Educação, mostram que 42 mil escolas foram beneficiadas com salas de recursos multifuncionais; 2.307 veículos para transporte escolar acessíveis em 1.541 municípios; 30 centros de formação de profissionais da educação e de atendimento a pessoas com surdez; 55 centros de apoio pedagógico às pessoas com deficiência visual e financiamento de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de nível superior.
Os dados são significativos e marcam uma década de conquista para os alunos com deficiência, pois representam o processo de construção de um novo paradigma de sociedade, com cidadania, distante do modelo de tutela, de caridade e assistencialismo. Importante salientar que, em 2008, um grande passo foi dado pelo Poder Legislativo Brasileiro, ao ratificar, com status de Emenda Constitucional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU. No artigo 24, o texto afirma que é dever do Estado assegurar sistema educacional inclusivo em todos os níveis.
A educação inclusiva, portanto, compreende a educação especial dentro da escola regular e transforma a escola em um espaço para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar, e que cabe à escola adotar mecanismos de mitigação das dificuldades e limitações desses alunos para que eles possam progredir em conhecimento, socialização e preparo para vida. O aluno com deficiência instiga a escola a assumir uma atitude educativa proativa como, por exemplo, a utilização de recursos e apoio especializados para garantir a aprendizagem de todos os alunos. 
Um sistema educacional inclusivo é um sistema que se destina a educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. A opção por este tipo de educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade. É essa variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de mundo e desenvolver oportunidades de convivência a todas as crianças.
Mas nem todos os dados referentes à educação inclusiva no Brasil são positivos. Em audiência pública realizada no último mês de setembro pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, em Brasília, que debateu sobre a educação inclusiva, especialistas afirmaram que a inclusão de alunos com deficiência na escola regular sem o apoio pedagógico necessário perpetua a exclusão de crianças e jovens.
A consultora legislativa da Câmara, Maria Aparecida Andrés, apresentou gráficos mostrando uma grande inflexão no ensino de crianças com deficiência, com um aumento expressivo delas na escola regular. Em 1998, apenas 13% dos alunos com deficiência estavam nas escolas regulares. No ano de 2008, esse número chegou a 54%. “Isso significa que está tudo bem, que os alunos estão sendo incluídos? Não necessariamente. Uma prova disso é que o número de alunos com deficiência vai diminuindo até chegar ao nível médio, algo que também acontece com os alunos sem deficiência”, disse ela. Segundo a consultora, a vida educacional dos alunos com deficiência acaba sendo diminuída por todas as dificuldades apontadas na audiência, como a falta de recursos pedagógicos que possibilitem um real aprendizado.
Evidentemente, quando se trata de educação inclusiva, o foco deve ser a disponibilização de técnicas e recursos pedagógicos que possam, de fato, integrar o aluno ao ambiente escolar, sendo de menor importância o fato de estarem, todos os alunos, em um mesmo prédio. Não há como negar os benefícios trazidos pela convivência entre os alunos, sua integração e socialização, o que permite a todos uma experiência riquíssima em termos de respeito à diversidade. Todavia, não basta que os alunos com deficiência estejam presentes na escola regular. É imprescindível que eles estejam presentes, como sujeitos de direito, no planejamento das atividades pedagógicas da escola, na preocupação com a adequada formação dos profissionais que serão diretamente responsáveis por esses alunos, na programação de encontros entre a escola e a família, buscando compartilhar experiências e discutir estratégias em conjunto.
Enfim, incluir as pessoas com deficiência no ambiente escolar é um desafio para todos nós, pois pressupõe a estruturação de uma polícia pública consistente e transformadora, apta a modificar paradigmas históricos de exclusão e segregação. É preciso que as famílias confiem no potencial inclusivo e acolhedor da escola, a fim de que possam, com tranquilidade, matricular seus filhos em escolas regulares e participarem ativamente do desenvolvimento do processo educacional, que é único para cada pessoa, notadamente para aquelas que possuem limitações e necessidades especiais.
O desafio é tão grande quanto apaixonante, pois somente aqueles que têm a oportunidade de conviver com a diversidade possuem a dimensão das potencialidades do ser humano, independentemente dos fatores que limitam algumas de suas funções, sejam elas de natureza física, sensorial ou intelectual. As nossas crianças e jovens merecem essa oportunidade. Que possamos, juntos, continuar avançando na estruturação desse sonho.
*Tatiana Takeda é mãe de uma criança com autismo, advogada, professora universitária, servidora pública, mestre e especialista em Direito e especializanda em Autismo.

Família denuncia maus-tratos contra menino autista

Família denuncia maus-tratos contra menino autista
Teutônia - Há pelo menos oito meses um garoto de 9 anos, autista, não frequenta as aulas em uma entidade assistencial de Teutônia. Desde dezembro do ano passado, a família dele aguarda respostas da Justiça depois de uma denúncia de que o menino era agredido fisicamente por funcionárias da instituição. A Polícia Civil apurou o caso, concluiu o inquérito em 22 de junho e indiciou duas pessoas por maus-tratos e coação no curso do processo. Uma terceira pessoa ainda foi indiciada por coação. As investigações resultaram na representação por medida cautelar de afastamento da atividade exercida por duas integrantes da equipe da instituição. O documento foi remetido ao Judiciário e o processo corre em segredo de justiça. 


De acordo com o advogado constituído para assistência de acusação, Marco Alfredo Mejía, o boletim de ocorrência foi registrado no dia 3 de dezembro do ano passado, na Delegacia de Polícia (DP) de Teutônia. A denúncia ainda não foi proposta pelo Ministério Público (MP) porque há alguns exames complementares pendentes. Ele afirma que, mesmo com o indiciamento, as profissionais permanecem exercendo suas funções na instituição e testemunhas-chave do processo foram demitidas, caracterizando a coação.  


"Esse menino é apenas um exemplo e não é ele que precisa sair da escola se existe um problema lá dentro. Estão premiando a ordem inversa da lei deixando que a criança fique em casa enquanto os agressores exercem suas funções. Essa é uma luta da família por um conjunto e, como advogado constituído da acusação, vou endossar com o MP e requerer à Justiça o afastamento imediato dessas pessoas porque outras crianças podem estar em perigo", declara. 


O promotor de Justiça Jair João Franz, foi procurado pela reportagem mas não quis dar detalhes do processo, já que está em férias. "Tenho que olhar os autos". Franz se limita a declarar: "Denúncia, denúncia, um processo-crime, ainda não", em relação à situação do caso. 


Investigação
A Polícia Civil ouviu pelo menos 15 pessoas para apurar a denúncia. As suspeitas de agressão negaram os maus-tratos, enquanto algumas testemunhas afirmaram presenciar violência física e outras desconheciam as informações sobre a violência. As testemunhas teriam sido intimidadas durante o processo e orientadas a omitir as situações que envolviam as agressões às crianças. Há relatos, ainda, de que há cerca de cinco anos uma professora teria colocado a cabeça de uma aluna dentro de um vaso sanitário em represália a um comportamento inadequado.


O garoto de 9 anos também foi avaliado por um médico do Instituto Geral de Perícias (IGP), em Porto Alegre. A perícia apontou compatibilidade de agressão física e psicológica com o comportamento apresentado pelo menino. Durante as aulas, o menino seria levado para um canto da sala e agredido com tapas no rosto e no corpo.


"É desesperador. As pessoas sabem e não querem se envolver"
Karen da Silva Vargas (29) conta que o filho frequentava a entidade desde março do ano passado, mas após uma troca de professores em outubro, o menino começou a apresentar mudanças no comportamento. Ele chorava muito e não queria ir para as aulas, empurrava os pais e apertava os braços das pessoas que tentavam se aproximar. As testemunhas das agressões contaram aos poucos que havia algo errado no tratamento dado ao garoto por medo da reação da família.


A mãe afirma que as autoridades do município têm conhecimento que desde novembro do ano passado o menino não vai à escola. Com a falta de acompanhamento pedagógico, o garoto já dá sinais de retrocesso no desenvolvimento. De acordo com familiares, ele pouco se comunica verbalmente no dia-a-dia. "Falei ao promotor, antes do inquérito ser concluído, que eu queria meu filho de volta à escola. Ele encaminhou um documento à instituição solicitando que essas pessoas não tivessem contato com meu filho. Mas eu não quero isso. Quem viu ele apanhando foi demitido, então quem vai me contar se ele continuar sendo agredido? É desesperador. As pessoas sabem e não querem se envolver", lamenta.  


Segundo Karen, a família tentou entrar em contato com a entidade, mas nunca obteve retorno. Ela argumenta, ainda, que ao perceber a conivência da direção com a situação de maus-tratos, resolveu denunciar o caso diretamente à Polícia Civil. "Se uma criança deixa de frequentar a escola por cinco dias, a instituição tem que informar ao Conselho Tutelar. Mas fui procurada três meses depois porque não sabiam que ele estava sem ir para a escola. Temos todo o processo documentado", afirma. 


A família do menino acredita que as agressões ocorreram entre outubro e novembro do ano passado. E, de acordo com a polícia, as pessoas indiciadas teriam alegado que a criança era agressiva. Mesmo assim, Karen garante que possui documentos referentes a avaliações escolares anteriores de professores que disseram que o garoto tinha bom relacionamento, de acordo com as limitações do autismo. 


O outro lado
A direção da entidade foi procurada pela equipe do O Informativo, mas não quis se manifestar sobre o caso. Um integrante da diretoria se limita a alegar que a instituição não faz parte do processo e a denúncia é referente a apenas uma profissional. "A entidade não tem como se manifestar porque não faz parte do processo. O assunto já está encerrado e enquanto a entidade não for citada não precisa se pronunciar. O processo é pessoal. Quando formos notificados o jurídico vai dar todos os esclarecimentos. Para começar foi um pretenso maus-tratos e estão querendo fazer uma polêmica onde não existe", afirma.


Saiba Mais
De acordo com o Código Penal, maus-tratos são caracterizados por "expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina". 


A pena prevista é de detenção de dois meses a um ano, ou multa. Se os maus-tratos resultarem em lesão corporal grave, a pena passa para reclusão de um a quatro anos. A punição é aumentada de um terço - reclusão de quatro a 12 anos - se o crime é praticado contra menores de 14 anos.


Em questão
A neuropsicopedagoga Suame Schuh (35), conversou com o jornal O Informativo do Vale e esclareceu características da pessoa com autismo, além de explicar a importância fundamental da instituição de ensino especializada, na formação da criança.


O Informativo do Vale - O que caracteriza o autismo?
Suame Schuh - Os distúrbios do autismo, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger, fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista - TEA.
O TEA é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las com intensidades diferentes. Assim, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos; ou podem ser mais sutis e tornarem-se mais visíveis ao longo do desenvolvimento.


O Informativo do Vale - Qual a importância da criança frequentar uma instituição especializada no atendimento?
Suame Schuh - Para todas as crianças é de suma importância frequentar instituições de ensino para o seu aprendizado, não sendo diferente para as crianças com TEA, que necessitam ainda mais de estímulos para desenvolver as suas habilidades e aprender, sendo de extrema importância a frequência em instituições de ensino especializada onde possam ter contato com profissionais capacitados.
 

O Informativo do Vale - O que os maus-tratos (como agressões físicas) podem provocar na personalidade da criança?
Suame Schuh - A criança que sofre maus-tratos tende a ficar, na maioria das vezes, mais agressiva, agitada, nervosa, exteriorizando de forma negativa a situação que está vivenciando, podendo causar traumas, dependendo da gravidade destas agressões.


Colaboraram: Bárbara Correa e Camila Pires